Monóxido de Carbono passa de gás mortal a salva-vidas
CO poderá ser utilizado na produção de antibióticos.
Longe vai o tempo em que foi descoberta a penicilina. Com a descoberta feita num estudo coordenado pela investigadora da Universidade Nova de Lisboa Ligia Saraiva que conclui que o monóxido de carbono pode vir a ser utilizado como antibiótico pela propriedade de matar bacterias.
“Não podemos prever quando é que teremos um antibiótico, o processo pode demorar muitos anos», afirmou a investigadora do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) da Universidade Nova de Lisboa em declarações à agência Lusa, sublinhando que os avanços conseguidos com a investigação representam apenas, por enquanto, um novo leque de possibilidades.
De acordo com o comunicado relativo à investigação, esta mostrou «pela primeira vez que o monóxido de carbono tem a capacidade de matar bactérias», algo demonstrado em «várias bactérias, em particular no bem conhecido patogénico Estafilococos, que tem vindo a desenvolver uma resistência preocupante aos antibióticos correntes».
«Os compostos libertadores de monóxido de carbono – CO, no símbolo químico – penetram as paredes celulares e só quando já estão dentro do meio celular, libertam o CO de forma controlada», explicou a investigadora a propósito do modo de funcionamento dos compostos.
O próprio organismo produz monóxido de carbono, mas em quantidades insuficientes para destruir as células de bactérias.
Na investigação agora apresentada foram utilizadas concentrações de CO superiores àquelas produzidas pelo organismo humano, mas não tóxicas.
Com esta descoberta abre-se a porta a novos tratamentos e a novos antibióticos, capazes de contrariar a resistência que algumas bactérias desenvolveram em relação aos fármacos já existentes.
«A resistência de microrganismos patogénicos aos antibióticos clássicos é um dos maiores problemas que a medicina enfrenta, sendo responsável por um elevado número de mortes, especialmente em ambientes hospitalares» e «os compostos libertadores de CO poderão assim constituir uma nova geração de antibióticos», lê-se no comunicado.
Lígia Saraiva admitiu, no entanto, que «não há garantias que as bactérias não venham a desenvolver resistência a novos antibióticos que possam resultar desta descoberta».
A investigadora do ITQB explicou que o trabalho que desenvolve no laboratório é «compreender o processo pelo qual a bactéria morre» e que o instituto não pode fazer testes relativos ao uso farmacológico dos compostos libertadores de CO em humanos.
No entanto, Lígia Saraiva adiantou que a empresa farmacêutica detentora da patente destes compostos pretende iniciar em breve os testes em animais.
A descoberta da equipa de investigadores coordenada por Lígia Saraiva, e da qual também fazem parte Carlos Romão, João Seixas e Lígia Nobre, será publicada na edição de Dezembro da revista internacional «Antimicrobial Agents and Chemotherapy».
Ainda sem comentários.






















