Obesidade: um problema sem novos remédios
Foram décadas e mais décadas em que a obesidade foi considera. da como problema meramente estético e o resultado é que, nos Estados Unidos, o FDA só aprova duas drogas para seu tratamento. Detalhe: ambas ,ajudam a perder uns 7, 8 quilos. E quem pára de tomar, engorda de novo. As empresas farmacêuticas juram que têm dez drogas novas em, fase de testes – todas no mesmo estilo, que ajudam a perder no máximo 9, 10 quilos ” mas isso está longe de significar que vem aí uma enxurrada de medicamentos fantásticos para ajudar obesos e gordinhos a entrar em forma.
Entre a pesquisa promissora seja ela a descoberta de um mecanismo de queima de gordura ou a de um neurorreceptor associado à sensação de saciedade e a chegada de um novo medicamento à farmácia são necessários de 10 a 15 anos de trabalho e investimento. E isso se tudo der certo, o que é raro. Desde 1999, o FDA não recebe nenhum novo pedido de análise de medicamento para obesidade. E, como até agora a maioria dos laboratórios e centros de pesquisa não investia pesado – com perdão da ironia – no assunto, a possibilidade de uma “revolução” no tratamento da doença é remota no curto prazo. Mais: as seguradoras americanas tendem a não cobrir gastos com medicamentos para emagrecer.
As soluções, portanto, continuam sendo dieta e exercícios, ou, nos casos mais graves, cirurgia. No caso das dietas, também há pouquíssima base científica para dizer que esta ou aquela é a que melhor funciona. Uma revisão da literatura científica a respeito feita por duas pesquisadoras americanas apontou a existência de 2.609 artigos sobre dietas, dos quais apenas míseros 94 seguiam rígidos critérios científicos, como controle e duração razoável a maioria dos estudos durou apenas 90 dias. Há poucas informações sobre a segurança desta ou daquela dieta, não há comparações entre pacientes sedentários e com atividade física e, mais grave, controle sobre o que eles realmente ingeriram.
Para casos graves de obesidade, a chamada obesidade mórbida, o tratamento ainda é a cirurgia. Por aqui, as filas para redução de estômago nos serviços públicos são quilométricas. Por lá, onde saúde pública é praticamente inexistente, os obesos enfrentam agora a relutância dos planos que estão cortando a gastroplastia dos procedimentos cobertos pelo seguro. As perspectivas para os 130 milhões de americanos gordos e obesos não são muito boas, até porque o governo Bush, a despeito da epidemia, teima em não impor uma regulamentação à indústria de alimentos que a obrigue a reduzir o conteúdo de gordura nos produtos.
O avanço das pesquisas que ten. tam compreender os mecanismos de saciedade é a grande aposta para ( futuro desenvolvimento de novas estratégias – e medicamentos – para ( combate à doença. O marco desse nova fase foi a descoberta da leptina em 1995, uma proteína que pareCE impedir o acúmulo de gordura. Ele mostrou que as células gordurosa tentam informar o cérebro de quanta gordura têm em estoque nos obesos, a mensagem ou hão é enviada diretamente ou não é bem compreendida. Por enquanto, a única certeza que os especialistas têm é a de que o processo pelo qual hábitos alimentares, metabolismo, neurotransmissores e outros fatores interagem para produzir ou não um obeso é extremamente complexo.
Fonte: Jornal Vilas Magazine
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